12 maio 2008

Arte ou outra coisa qualquer?

Não sou especialista, mas sinto a ausência de sentimento, nem que seja o sentimento de não haver sentimento. Percebo quando falta a alma, o espírito, o sentido do artista. Quando não há linguagem, quando a obra que se contempla não fala, não diz nada, nem põe o contemplador a falar.

Assim tem sido nalgumas das exposições que tenho visto. Meras montras de tudo e de nada, aglomeradas em mostras "de arte".

Expõe-se o ego, muito mais do que as peças. Expõe-se a vaidade de se conseguir expôr.
A exposição passa a ser o fim e não a consequência da obra, do trabalho, do caminho do artista.

Na "mostra" os artistas visitam-se e muitas vezes deixam o sentido crítico à porta. Lá dentro, por solidariedade de profissão, trocam mimos e elogios, numa espécie de "masturbação colectiva do ego".
Juntos em irmandades intelectuais, "maçonarias de arte". Fechadas, exíguas, de acesso muito limitado.
Começa a sentir-se a falta de sangue novo, ideias arrojadas.. outras gentes talvez.
Quem paga é a arte em si.

9 comentários:

João Branco disse...

Que belo post! Posso plagiar lá para o Margoso? Vale bem uma atenta discussão! Abraço, JB

P.S. Desta vez escuso-me a comentar a foto, não vá o ZCunha por aí aparecer... hehe

Margarida disse...

Plagia à vontade, João. Abre à discussão lá no teu café que é mais frequentado que o meu ;) Não comentáste a foto, comentando! eh eh eh
Beijocas do Sotavento

Cesar Schofield Cardoso disse...

Aqui falta crítica...então só podemos contar com a nossa autocrítica, ou seja, com a nossa honestidade. É que cada um de nós, que produzimos alguma coisa, sabemos exactamente o que valemos, mas, vivendo em terra de cego, damos uma de rei. Só que, para a infelicidade das nossas almas, sabemos quando andamos na desonestidade. Por isso, assim que aparece o mais leve apontar de dedo, os desonestos sobressaltam, barafustam, embirram...

Abraão é das pessoas que incomodam porque se atreve a apontar o dedo a esse nacional-porra-porreirismo; muita gente se põe a barafustar quando ele fala.

Força aí
César

Alex disse...

Quem é que falou que falta crítica por aí?
Adorei a opinião, adorei a análise, adorei a frontalidade!
Particularmente aquela de se deixar a critica à porta. E quem é que te disse que eles a levam Margarida? Nem disso estou certo.
Também sou do tempo em que qualquer gato pingado rabiscava dois versinhos manhosos, e virava poeta, sovacando livros pelos cafés e esquinas. E a seguir era antologiado, para aconchego do ego inflamado. É o síndroma da 'pequenez'. E em terra de cegos...
ZCunha

P.S.- Desta vez nem eu comento a foto. Sorry Margarida! O que prova que ninguém é perfeito. A foto ajuda a equilibrar a qualidade do texto. Boa estratégia M. Como quem diz: concentrem-se no essencial. Verdad?!

vl disse...

oh Cesar concordo consigo, mas já que falaste no Abraao digo-te que ele é um dos que precisa aprender a aceitar a critica dos outros em relação ao trabalho dele....

Miguel Barbosa disse...

Uma coisa temos que reconhecer nos "pseudo-artistas": a ousadia.
Pergunto-me sempre quntos artistas se perderam ao longo da histório por falta de ousadia.

FernandoT disse...

Exposição é isso mesmo - mostrar algo que não se via. E deveria ser um acto de coragem, não só o "expor" o que merece, mas acima de tudo, o deixar onde não se vê, o que deve continuar assim. Só se deve expor o que também se gostaria de ver (ler, ouvir, assistir, etc.) se fosse de outro. É o mínimo de honestidade artística que se pede. E também o mínimo de respeito pelo bem estar da "alma" dos outros que se deseja.

Anônimo disse...

Até que enfim alguem o disse. Alivio por não ter de ser eu. Eu que sou bruto no dizer verdades que doem e apontaria o nome de(quase) todos, inclusivê os de vós que "concordam" e publicam "post". PC

Bôltchor Dô Cruz Pólina (Conjudi pudér Déuxe) disse...

Vejo todos os dias, algures aquilo que descreves com tanta angustia. Parabéns por este post. Val Bronze - S. Filipe

 
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