05 novembro 2008

Haja Burocracia!

Ser jornalista não é fácil. Em nenhuma parte do mundo.
Mas confesso que em Cabo Verde, entendi melhor essa realidade e percebi que é preciso ter muita paciência e habilidade para ultrapassar, ou simplesmente contornar os obstáculos que vão aparecendo em cada caminhada heróica para realizar mais uma reportagem.

O país que gosta de se assumir como um território globalizado, continua a olhar para a comunicação social com jeito de desconfiança, descrença... ou simplesmente com aquela sensação de que falar com os jornalistas é mais prejudicial do que vantajoso.

É certo que na sua maioria a classe jornalística nacional não tem feito muito para combater esta situação e afirmar-se como uma classe forte, credível e com poder de ser um interlocutor objectivo e fiável.
Os jornais são sobejamente politizados, a televisão nacional, funciona como uma espécie de agenda do Governo e mostra, dia após dia, um Cabo Verde sentado em colóquios, debates e conferências.
Do terreno, das pessoas, da vida no país pouco ou nada é mostrado.

Apesar disso há uma minoria que tenta reverter a situação. Fazer jornalismo, investigar, dar voz a quem tem realmente algo a dizer.
Esses, são frequentemente bloqueados por burocracias sem sentido que para nada mais servem do que mostrar poder e autoridade.

Os "jobs for the boys" criaram uma classe dirigente de instituições, entidades e organizações muito pouco preparada para os cargos. Pessoas que ali "cairam" por acaso e resistem às entrevistas, fogem às respostas, negam filmagens e reportagens, atrasam informações.

Nesta realidade, muito fica por dizer, por contar e esclarecer. No final a reportagem é sempre a possível e nunca a desejada.
Desistir é o caminho mais fácil... ou então lutar (como se pode) e pelo caminho ir ganhando uns quantos cabelos brancos e ataques de nervos.

10 comentários:

Marco Rebelo disse...

Ui..ser jornalista hoje é duro. mas um desafio é sempre bom pra nos fazer crescer, penso eu :)

Margarida Conde disse...

Como te compreendo... Fez ontem um mês que cheguei a Cabo Verde e todos esses obstáculos e barreiras surgiram logo após a primeira semana de estar cá. O que importa é a política, os partidos a que cada jornal está associado e sabes o que me choca mais é que por vezes as pessoas com quem trabalhamos nem sequer sabem o que é um simples principio do contraditório. E nós pagamos por isso. Nesta terra tudo se diz, tudo se escreve, basta ver o caso do pseudo economista que através das suas palavras xenofobas, surreais, nojentas, escreveu um artigo sobre a homossexualidade (onde instiga o ódio aos gays) no jornal mais lido de Cabo Verde. Inacreditável. Quando se quer investigar para uma reportagem, de modo a que se possa ouvir ambos os lados e dar a conhecer os problemas reais que afectam o país, por exemplo um caso social, ninguém está disponível, porque o importante são as lutas entre o PAICV e o MpD isso é que contribui para a intelectualidade dos caboverdianos. O resto são banalidades. É vulgar um menino da rua com 9 anos drogar-se, é normal uma menina de 15 anos engravidar.
A nós resta-nos continuar a lutar, como costumo dizer "esta terra não nos vai vencer, nós é que vamos vencer esta terra".

Margarida disse...

Marco tem toda a razão. As coisas difíceis têm sempre um gosto especial. Mas muias vezes os obstáculos são tantos que não nos deixam chegar ao resultado que pretendemos e isso é frustrante.
Mas concordo consigo ser jornalista e estar aqui, como tal, tem-me proporcionado um enorme crescimento profissional e pessoal.

Abraço

João Branco disse...

O jornalismo de um país é um pouco o reflexo da sua sociedade. E também, no jornalismo, precisa-se de uma profunda revolução de mentalidades. Urgente!

Redy Wilson Lima disse...

Falas como jornalista e eu poderia falar como investigador. Como compreendo-te.

gicas disse...

Soraia tens toda a razao!

"Jobs for the boys" e burocracia andam sempre de maos dadas nesta terra.

Informaçoes simples, por vezes, sao atiradas de departamento em departamento, de especialista em especialista, sem eles próprios, nas instituiçoes saberem quem é ao certo, quem melhor pode informar os jornalistas de determinados assuntos. Por vezes, é mais rápido falar com o PAPA no VATICANO do que com uma simples secretária de um Ministro...sempre ausentes, com os telefones ocupados e recados que se repetem e acumulam. Por vezes, somos obrigados a perder o "tempero" e fazer um "ultimato".

Fala-se tanto de empreendedorismo e competitividade, quando nao há pro-actividade nas empresas e instituiçoes públicas, nem espirito de iniciativa ou alguém que se atreva a assumir responsabilidades na ausência do "Bi Boss".

Nao é fácil vencer esta terra Margarida Conde, mas o mais importante é nunca deixares que ela te comece a vencer a ti, e olha que nao é nada fácil!

Benvindo Neves disse...

Costumo dizer que este é um dos países onde mais se fazem reuniões (fantasmas, diria).
Quando se procura alguém que nos possa dar uma informação este "está sempre numa reunião importante".

Ou será que somos os mais ocupados???

Benvindo Neves disse...

Costumo dizer que este é um dos países onde mais se fazem reuniões (fantasmas, diria).
Quando se procura alguém que nos possa dar uma informação este "está sempre numa reunião importante".

Ou será que somos os mais ocupados???

Anônimo disse...

compreendo mas peço um pauco mais de cuidado pois (por expriência própria) alguns jornais/jornalistas fizeram grandes malabarismos com declarações e entrvistas q dei...um autentica desgraça...e acrecditem não sou politico, nem de profissão nem de vocação nem de circunstancia...
"esta terra não nos vai vencer, nós é que vamos vencer esta terra"...exageradinho hein????princiaplmente de quem vem de terras lusas..lá a situação, slavando as devidas proporções, n me parece mto diferente...(é claro que o erro dos outros n pode ser referencia..mas serve para dimensionar opinioes e criticas...)
porém percebo...profissionalismo nesse vosso sector reconheço andar um bocado pelas ruas da amargura...o caso do economista foi paradigmatico e inacreditavel n pelo autor mas pelo jornal q deua ´+a estampa tamanha idiotice
bjinhos

Margarida disse...

Caro anónimo subscrevo o seu comentário. Compreendo os receios e burocracias na hora de dar informações e entrevistas, a uma classe jornalística que não tem trabalhado para ser credível.
So lamento que todos paguemos essa factura, mesmo aqueles que teimam em fazer jornalismo de informação, de verdade.

 
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