04 novembro 2009

Estado de calamidade

Quatro mortes confirmadas. Centenas de casos registados por dia. Pessoas alarmadas. Os hospitais e serviços de urgência dos centros de saúde "em lotação esgotada", sem capacidade de resposta.
É este o retrato de um país onde há pouco mais de 15 dias foi identificada uma epidemia de dengue. O foco começou na capital e espalhou-se praticamente a todo o arquipélago.


Agora o alarme é geral...As autoridades começaram por colocar a cabeça na areia e "fingir" que tudo estava sob controlo. Agora vêm a público assumir uma situação que tomou proporções assustadoras.

E a mesma desculpa de sempre: Um azar em Cabo Verde. De novo, a pouca sorte do arquipélago "coitado"que já foi fustigado por tantas situações de crise. E fica-se assim a atribuir as culpas a qualquer entidade superior que tem como alvo estas "pobres" ilhas.
E é tão fácil descansar a mente sobre este "bode espiatório". É tão fácil afastar remorsos. Pior, é tão fácil esquecer...
Esquecer que a OMS há muito identificou Cabo Verde como um país potenciador da reprodução de vectores de transmissão de doenças... Esquecer o clima, húmido e quente, tão propício à propagação de malárias, dengues, febre amarela...Esquecer os focos de infecção... Esquecer as poças de águas paradas que descansam das últimas chuvas... esquecer os esgotos a céu aberto, as lixeiras...

Mais uma vez se esqueceu a prevenção... tal como nas chuvas severas que chegam "inundam" a vida dos cidadãos, destroem casas, bens, familias... No resto do ano esquece-se o ordenamento das ribeiras, as proibições de construção em zonas de risco, a limpeza dos lugares de escoamento. A chuva vem, o cenário é de destruição... Chora-se a má sorte, o azar... a "maldade" vinda dos céus em forma de dilúvio!

Agora a dengue... É urgente actuar, mas não há magias que façam num dia aquilo que poderia ter sido feito durante muitos e muitos meses.
O que virá a seguir?

2 comentários:

Amilcar Aristides - TIDI disse...

Soraia e a sociedade civil sem rosto? Independentemente dos poderes públicos o cidadão que convive com o estado de coisas e não age está a endossar a situação.

Parece que a tolerância de sexta é para que todos possam participar duma campanha de limpeza massiva, coordenado pelos serviços públicos.

Agora que a cena tá instalada o jeito é dar as mãos e agir. Depois teremos mt tempo para reclamar.

:D

Margarida disse...

Tens razão Tide, não é tempo de reclamar, mas é tempo da sociedade civil exigir mais. Na verdade por muita vontade que tenha a sociedade civil, neste momento pode fazer muito pouco. Não estamos na fase de prevenção. A epidemia está em Cabo Verde, as pessoas estão doentes e é preciso combater isso. É preciso mais médicos, mais reagentes para análises... é preciso apelar à ajuda internacional, aos especialista de países com experiência neste tipo de problemas. E isso é o Governo que tem de solicitar. sem estes instrumentos de combate à dengue a sociedade civil é praticamente impotente!

 
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