23 setembro 2008

Inspirações, ou realidades post scriptum?

E ele agarrou-lhe a mão, e ela agarrou-lhe as mãos,
e ficaram assim de mãos agarradas, primeiro a olharem para as mãos,
depois levantando lentamente os olhos, que por fim se encontraram,
perdendo-se uns nos outros,
sem já saber quem via ou era visto,
os olhos, ao mesmo tempo a verem e serem vistos,
nus, sem qualquer pudor, como se tudo fosse possível uma vez mais,
uma última vez,
sem esquecer que o que lhes estava a acontecer é impossível,
quanto mais de esquecer.

In Muito, Meu Amor- Pedro Paixão


Essas mãos poderosas que assentaram sobre os meus dedos trémulos, inquietos, numa noite luminosa...
O teu rosto e o meu siderados, fixos...em pausa... face to face... e um beijo, o primeiro de muitos beijos impossiveis... impossiveis de sentir, de falar... impossiveis de esquecer.

E lembrei-me de Muito, Meu Amor. Como se este nosso momento fosse um dejá vu há muito antecipado por Pedro Paixão...
desta vez vivido em vez de lido.

Também a nossa história daria um livro de amor...
Amor a nós mesmos... amor a essa necessidade egoísta de viver aquele espacinho de tempo que só pode existir numa outra vida, num outro contexto, longe do real e do lógico.
Amor a essa sensação de prueba superada, desafio alcançado, em jeito de quem vai ganhar a taça no final.

Amor a uma paixão desenfreada que nasce e morre dentro de nós... tão rápida e fugaz, quanto intensa, quente, apaixonante...
Uma verdadeira ode à nossa loucura.

Muito, muito, meu amor...

1 comentários:

João Branco disse...

Era o que eu te queria dizer: os teus textos tem um-não-sei-quê de sensualidade latente, que nos dá vontade de abraçar a sua autora.

Gosto muito.

Beijos

 
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