25 abril 2008

Freedom- alguém ainda se lembra?

Alguém ainda se recorda? Alguém ainda sente o verdadeiro significado da palavra liberdade? Alguém entende a luta para conquistar a voz, a palavra, o gesto, o pensamento?

Eu nasci depois. Cresci sem repressão, sem fronteiras nem barreiras. Mas presto aqui a minha homenagem a todos os homens de coragem que lutaram por uma verdade, por um ideal e provavelmente fizeram uma das maiores conquistas de sempre em nome de todos nós.

Talvez hoje os ideais dessa gente tenham ficado esquecidos. Talvez a palavra liberdade tenha encontrado sinónimos menos nobres, menos edificantes.
Mas a porta foi aberta o caminho foi traçado, os muros ruiram... Por tudo isso Muito Obrigado!

9 comentários:

João Branco disse...

Querida amiga, todo o dia de hoje, no Margoso, é dedicado a celebrar a Liberdade. Estou convicto que em Cabo Verde ainda se tem muito pouco a noção da importância desta data para o arquipélago. Eu defendo que aqui devia ser feriado. Justifica-se bastante mais que outros que temos hoje! Abraço fraterno. JB

kalu disse...

sossega moss!
nhos ta dado 1 dedo nos ta cre toma mon.

João Branco disse...

Kalu, bo devê estod ta confundim k'ote pessoa. A sério!

Margarida disse...

João concordo contigo. Também defendo que deveria festejar-se aqui o 25 de Abril. À data a história dos dois países era comum e embora hoje se ignore esse facto a verdade é que foi determinante para Cabo Verde e para todas as ex colónias portuguesas.
Deveriamos celebrá-lo em conjunto.

Alex disse...

Discordo em absoluto do comment do Kalu. É por estas e por outras que a Lusofonia em que eu acredito está cada vez mais longe.
Kalu, era só o que faltava que em Portugal me dissessem que eu não devo ter opinião sobre o 25 de Abril, ou outra data, ou memória histórica qualquer. Era só o que faltava que me dissessem que não tenho direito a propor o mesmo que o João está aí, convictamente, a fazer.
Eu discordo do João, porque acho que a proposta dele não faz sentido para a esmagadora maioria dos Cabo-verdianos (Não tenho qq sondagem, mas é cá um palpite!). Não faz sentido no plano do imaginário político ou simbólico.
Mas, já estou inteiramente de acordo com a ideia da Margarida que propõe 'celebrá-lo em conjunto'. É, pessoalmente, o que eu faço. Mas, com o já disse noutros espaços, este apelo da Margarida tem um defeito original, isto é, não propoõe outras coisas recíprocas que ajudariam a aproximar-nos ainda mais, de forma mais autêntica e genuina.
A questão, simbólica e afectiva, é que o João e a Margarida reivindicam algo que, em boa verdade, não podem renegar. O 25 de Abril faz parte da sua herança genética - cultural, histórica e política - é algo que lhes é intrínseco, algo que é anterior à sua Cabo-verdianidade, e que não põe em causa esta, nem a torna questionável. A sua Cabo-verdianidade é legítima, autêntica, sincera e vivida. A meu ver, o 'problema' está na perspectiva com que se olham, e no como se reconhecem. Ou seja, a sua herança natural - à priori - a que herdaram de, e em, Portugal, da qual o 25 de Abril é parte integrante, quer introduzir no calendário afectivo destoutra herança adquirida - à posteriori - a cabo-verdiana, algo que para eles é natural, e talvez até óbvio, mas que de facto não é, isto é, só é para eles. Ambos vivem duas agendas, e, neste caso, caem na tentação de as sobrepor. Para ambos, no plano simbólico não há diferenças. Mas para aqueles que não se sentem herdeiros naturais da mesma cultural portuguesa, que ambos possuem por nascimento, educação formação, e vivência, essa que leva a Margarida a celebrar p.ex. a sua Lisboa, ou o João o Zé Mário Branco (não o pai, mas a figura pública), convenhamos que é difícil aceitar com a mesma abertura, com a mesma naturalidade, seja no plano histórico, seja no simbólico essa sobreposição. E o João não entender isto não o torna menos cabo-verdiano, ou mais português. De modo nenhum. Mostra sim, que ele vive num espaço de fronteira complexo e contraditório (emocional, cultural, afectivo, mais amplo e mais abrangente que a simples soma de duas culturas, e também mais amplo que muitos Portugues "genuinos" e muitos Cabo-verdianos "genuinos"), espaço que também é o meu, muito dado a estes equívocos (nomeadamente a transferências simbólicas). O que não é grave, antes pelo contrário.
Onde o João é 'vítima' da sua pluralidade (quer incluir 'o outro' - mesmo que ele não o sinta como tal), Kalu é 'vítima' da mesquinhez (quer excluir declaradamente o outro - aquele que ele não reconhece ou sente como sendo dos seus).
Se por falta de clareza (que não de outras razões) não me fiz entender, estou disponivel para prestar esclarecimentos adicionais.
Com elevada estima, e sincera amizade, bjs e abç's a todos.
ZCunha

João Branco disse...

Belissimo comment, ZCunha. Na parte que me diz respeito, acho que tens toda a razao.

Margarida disse...

Obrigado Alex pelo comment e por ter aberto um espaço de debate verdadeiro sincero e fundamentado. Volte sempre!

da caps disse...

curiosidade:
(1) kalu apresentou sua opinião para com a sugestão apresentada (sem cabimento, diga-se) com 2 frases só, simples e curto.

(2) repararam na quantidade de 'retórica' para se espressar em sentido contrário?!

(3) como canta o djodje,
"tchás falá..", kalu

p.s.:
não creio que o kalu tenha dito 'não à comemoração'.
Cunha, sabes o significado dessa palavra (cunha) em criolo?!

Alex disse...

Caro "da caps said"
Responder-lhe-ia com gosto, tivesse o seu comentário mérito.
Como V.Exa deve sofrer de idiotia natural, tenho mesmo que deixar passar. Ainda se fosse apenas, e só, idiotice, talvez valesse a pena alongar-me.
Assim, resta-me ficar ansiosamente à espera da sua douta explicação do que (cunha) possa significar em criolo ou em crioulo ou mesmo em kriolu.
Mas deixo-lhe com algo que o negrume do seu comentário me inspirou, e que 'regiamente' lhe dedico:

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
...
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!"

Cântico Negro, J. Régio
(Excertos cirúrgicos)
Para bom entendedor...
ZCunha

P.S.- À Margarida as minhas desculpas pelo comment.

 
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