20 abril 2010

Borbolet(inhas)!

Voam baixinho... batem as asas habilmente... como numa dança encantada... Movem-se ligeiras, leves... e esvoaçam por todos os lados, sem que nunca se saiba muito bem por onde...


Chegam de surpresa... poisam calmamente com se um pára-quedas as amparasse... e partem de uma só rajada, levadas por um vento forte ao qual raramente conseguem resistir...

Borboletinhas...
tão dóceis, tão leves

Cheias de clichés e falsas militâncias para espalhar amores e encantos...

Borboletinhas;
de palavras vãs, ditas e reproduzidas quantas e quantas vezes... sempre ao sabor do vento... espalhadas indefinidamente à espera de quem as receba e também se apaixone por esse lindo cântico de maravilhas!

Borboletinhas bonitas, com asas de tantas formas e cores... meros véus de fachada...
Sim, gosto de ver as borboletinhas passar... voar em toda a sua exuberância e volúptia.

Gosto de as ver chegar suavemente e assistir uma vez mais à sua dança... humildes... frágeis... vindas do paraíso de propósito para dar mais cor e mais primavera ao novo destino..

Gosto de divertir-me a observá-las durante os seus vôos planeados... e ver a forma como teimam em esconder o passado de lagartas fechados no casulo...

E como diz o ditado... uma questão de tempo... para deixá-las poisar.

09 abril 2010

Abril de águas... e amores mil!

Abril...
Só podia ser Abril...
Mês de revoluções e flores... e flores que se tornaram revolução!
Mês de mudanças... de esperanças... De todas as liberdades!

Mês das chuvas torrenciais que o sol quente interrompe sem aviso... e de um arco iris que cruza o horizonte em todo o seu esplendor.

Mês dos amores... das paixões... dos sentimentos que se libertam das "amarras" de um Inverno longo... demorado...

Abril de mim e de ti... E agora também de ti meu pequeno tesouro... Sim, também tu escolheste Abril, quando todos te esperavamos mais tarde... E que surpresa boa nos ofereceste!

Em Abril... eu e tu...
Sim... tinha de ser em Abril.
Sem pudores, sem tabus... depois de muito tempo... de muitos olhares, pensamentos, desejos...
Esperámos por Abril!

Tinha de ser Abril!

07 abril 2010

Looking Back

Olho para trás e vejo uma imensa multidão de gente, de lugares, de caminhos... tantas e tantas vidas... Experiências de tudo e de nada... histórias de contar aos netos... histórias de recordar... histórias de esquecer...  histórias só de pensar de vez em quando...de corar também! histórias que chamam a lágrima fácil e envergonhada...

Olho para trás e sinto aquilo que senti, tantas emoções experimentadas, testadas, levadas ao limite...para além do limite.
Sentimentos de elogio à loucura, à evasão, ao amor e ao ódio...
Verdades e mentiras... sentimentos a sério; outros forçados; falsificados.
Vitórias... derrotas... e derrotas transformadas em vitórias... da experiência... da força!

Olho para trás e foram tantas e tantas vezes... E foi tudo o que queria... ainda que pensasse não querer...

Vejo-te a ti e a ti... a ti também. Sempre lá, numa imagem nítida, verdadeira... Numa imagem a cores, a três dimensões... a tudo! A ti evidente no meio de tantas sombras, rostos desfocados... vultos só de passagem...
Vejo quem espero ver! Quem quero ver.

E tu... intermitente... indo e voltando sempre fugaz... sempre tu! Nessa dança audaciosa e arriscada que só a ti te é permitida!

Olho para trás, como quem olha para o horizonte que se oferece... Sem saudosismos, nem melancolias... Tanta vida, numa só vida...
Olho para trás para ver a minha maior riqueza... aquela que há-de sempre alimentar-me a alma e o ego... guia fiel dos meus passos seguintes... os passos a que chamo futuro... Felizmente incerto... inesperado...surpreendente!

Dedicado a mim, em jeito de adeus aos 30, esperando mais uma década na presença de vocês que sabem bem quem são!

05 abril 2010

As flores do meu campo baldio

Não gosto de jardins... Não gosto de lugares relvados, onde as flores estão alinhadas minuciosamente, com critérios elitistas... onde há fontes a brotar água, estatuetas, estacas e outros estranhos disfarces de um cenário que não é para ser assim..

Não gosto das flores dos jardins... Artificiais, falsas... de cores vibrantes que não existem e se inventam para parecerem mais belas, para chamarem a atenção... Flores rivais, em disputa pelo lugar mais nobre, pelo olhar mais demorado...

Enjoa-me o cheiro a jardim acabadinho de "construir", arquitectar... Aquele cheiro intenso de rosas de laboratório e margaridas de cores que só existem por cortesia da genética...

Eu sou dos campos floridos da Primavera... Das papoilas que convivem com fenos, alecrins, malmequeres e margaridas... sim das margaridas de verdade!
Eu sou dos terrenos baldios onde a Natureza cresce em liberdade, se inventa e reinventa... onde as rosas têm espinhos, as ervas daninhas se revelam, tal como são...  e os girassóis reclamam um sol que aparentemente é so deles!

Eu celebro a Primavera das cores a sério, dos cheiros a sério... das flores, plantas, árvores e arbustos a sério! De tudo o que a anarquia da Natureza ditou para ser assim, sem cenários, nem artíficios.

Não, não gosto de jardins... não gosto de flores acabadas de chegar de uma estufa qualquer... esbeltas e exuberantes... e que murcham por coisa nenhuma...

Eu sou dos campos... dos de ninguém... das terras baldias...

26 março 2010

Os Primeiros de Muitos...

Soltou, desembaraçado, os braços da mãe... ficou hirto... confiante do seu equilíbrio próprio que acabara de conquistar... E lançou-se na sua primeira grande epopeia... Lançou-se sem hesitar... caminhando de uma vez só, por um caminho de três passos... Três passos formosos mas não seguros... Os primeiros de uma vida de caminhos, passos, passadas, corridas... galopes...marchas à frente e atrás...

A aventura terminou nos braços do pai... brindada por um sorriso sincero de quem tinha ultrapassado o maior dos obstáculos... na certeza de que, agora, todo o universo seria seu.

25 março 2010

Jay @Lisbon

Jay é uma boa surpresa da música criola. Irreverente em palco, mas seguro de um caminho que traçou calmamente até chegar ao destino que sempre quis.
O disco é uma fusão de sons liderados por um hip hop inteligente e bem tocado.
Limando algumas arestas e debilidades próprias de quem está a começar nos grandes palcos, temos artista... e dos bons!

Pela primeira vez em Portugal, Jay (e a sua banda composta por 8 músicos noruegueses) vai apresentar o seu trabalho "Momento Certo".
Em Lisboa, dia 26 de Março, no Ateneu Comercial (ao lado do Coliseu), pelas 22 horas.

Não percam este músico do mundo e a festa reggae que se segue com Bob Figurante e vários dj's convidados.

23 março 2010

Casa Crisanto Lopes


Há reportagens que nos tocam. Há histórias que ficam na memória e dão mais sentido à palavra jornalismo. Há essa vontade e essa verdade de acreditar que o jornalismo pode fazer alguma coisa... Há o desejo de divulgar, mostrar e querer fazer algo... querer salvar o mundo com o poder de uma câmara e um microfone.

Desenganamo-nos quase sempre... esse poder raramente se sobrepõe ao da arrogância, do autismo, do jogo de protagonismos... dos hábitos instituídos...

Mesmo assim tentamos. Insistimos.

A Casa Crisanto Lopes acolhia dezenas de meninos pobres, carenciados de bens materiais, de comida, de afecto. Meninos humildes, educados e bem formados, num lugar que serviu de pai, de mãe e de professor.
A Casa fechou. Faltou dinheiro da cooperação estrangeira que a financiava. 
Em Cabo Verde ninguém se dispôs a ajudar... Os meninos ficaram orfãos...

Os dinamizadores da Casa Crisanto Lopes continuam por perto, mantêm os encontros desportivos de sábado e proporcionam aos meninos o melhor dia da semana. Dão-lhes alegria, convivio, uma refeição quente e um lanche que levam para casa, para repartirem com a familia.

E isto é o que resta de um trabalho tão nobre...
Fizemos reportagem... não apenas para mostrar, mas na esperança de que aconteça algo, de que as portas da Casa e do futuro destes meninos se reabram novamente...

Sim, quando no fim da entrevista um menino nos puxa o microfone para dizer "queria pedir uma casinha melhor, porque vivo com sete irmãos num contentor", o jornalismo tem outro sentido.

Reportagem integral por:
Vitor Martins e Pedro Moita
Nha Terra Nha Cretcheu

16 março 2010

Viva a Grande Reportagem

Poder estar semanas a investigar, acompanhar, observar e registar um determinado tema é um privilégio de alguns "sortudos" jornalistas que fazem exclusivamente Grande Reportagem.
Um privilégio de poucos, mas, sem dúvida, muito bons.
Felizmente as televisões reconhecem-lhes hoje o mérito e dão à Grande Reportagem honras de horário nobre e destaque nos blocos de informação diária.
Para mim tem sido uma inspiração, fonte de aprendizagem... ambição também.

Hoje "tiro o chapéu" àquele que considero ser um dos melhores jornalistas de Grande Reportagem em Portugal: Pedro Coelho, da Sic, é sem dúvida uma fonte inesgotável de talento jornalístico. Adorei a reportagem sobre o "rescaldo" da tragédia da Madeira... adorei  texto, a escrita sentida, e tão visual...

10 março 2010

Reminiscências...

E enrolaram-se os dois na cortina de fazenda pesada... castanha escura... opaca e densa que escondia, lá fora, uma multidão que dançava como louca...
Isolados do som doentio de umas colunas, a reclamar reforma e longe dos olhares indiscretos... anunciando um momento intímo que afinal não foi...

Assim ficaram meros segundos... para ele, seria o começo de uma longa noite... há muito planeada...para ela, durou apenas o tempo de libertar-se de novo da cortina pesada e continuar a dançar, ao som, barulhento, das velhas colunas...

09 março 2010

Dance Music for sure!

Existem noites especiais que provavelmente não se repetem. Dessas noites, onde todas as forças positivas se unem num mesmo espaço, e envolvem as pessoas em boas vibrações.
Este foi um dos raros momentos em que tudo parecia ser igual e de repente tudo se tornou diferente.
Em palco cinco excelentes músicos transformaram uma modesta apresentação de discoteca num concerto que de pequeno só teve o tempo de duração!

Durante uma hora reinou a dance music e uma nova proposta de um grupo ainda jovem que tem tudo para dar certo.
Os Nu Soul Family são, sem dúvida uma das revelações e boas surpresas deste ano.
Prova disso foi esta pequena amostra na discoteca Syrius na Cidade do Mindelo onde a música serviu de intérprete para quebrar barreiras de língua, de ritmos, de estilo...

Vale a pena ir acompanhando a caminhada destes "meninos" cheios de boa vibe.
Fica a promessa de voltarem a Cabo Verde... soon... we hope!

 
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